Segunda-feira, 22 de Julho de 2019

Encontro de Valores Humanos - Linhares Espirito Santo - Gonçalo MedeirosA trajetória de Gonçalo Medeiros dentro dos valores humanos vem de longe. Tudo começou na Índia, a partir de uma experiência pessoal. “Estive no país por diversas vezes. Costumava ver alunos das escolas de Sathya Sai Baba, mas eles não me despertavam maior atenção. Até que, em outubro de 1991, fui a um bebedouro público. Era um dia quente, com sol forte, e beber água era uma necessidade. É costume um mesmo copo ser usado por muitas pessoas, porque elas têm o hábito de derramar a água na boca sem encostá-lo nos lábios. Me surpreendi com um menino. Antes que eu pegasse o copo, ele se antecipou, e me serviu. Bebi a água. Ele me perguntou se queria mais. Aceitei. E, novamente, o jovem estudante encheu o copo e me serviu. Neste momento acordei para a Educação em Valores Humanos, pois me dei conta de que eu não havia aprendido a ser gentil, ao menos na mesma medida em que aquele garoto havia sido comigo, apesar de toda a minha formação em Filosofia.”

Ao retornar ao Brasil, Gonçalo enxergou no próprio país um cenário preocupante. Vivíamos - ou ainda vivemos? - o lado oposto da prática da EVH. Na época, início da década de 1990, o governo brasileiro iniciava um programa nacional de construção de escolas. A imprensa noticiava que crianças das favelas seriam abrigadas nessas unidades: durante o dia teriam instrução, práticas de esportes, assistência médica, alimentos. "Tanto em relação as crianças de comunidades, quanto as demais, eu me perguntava sempre: teriam elas uma adequada formação de sua personalidade com os valores passados no convívio familiar e na escola? A imprensa noticiava, no entanto, uma geral degeneração dos valores. Se os pais não tivessem uma boa formação, como passariam valores positivos para os filhos? Se os professores, por seu turno, não tivessem aprendido ou praticassem tais valores, como os transmitiriam para os estudantes?."

Movido por todas essas indagações, no início de 1992 Gonçalo escreveu uma carta ao Presidente da República e ao Ministro da Educação com argumentos de que, para uma boa formação da personalidade da juventude, as crianças precisariam de algo além de instrução, esporte, alimento e assistência médica: deveriam alimentar-se de valores humanos. "Como resposta, obtive um comunicado de que a carta seria encaminhada ao MEC. A resposta foi de que este assunto era de competência dos estados e municípios". Ainda em 1992, ocorre a primeira palestra sobre o Programa, na Faculdade de Filosofia de Araxá, Minas Gerais. Estava lançada a semente. "Em maio de 1994 estivemos com o Professor Murílio Hingel, Ministro da Educação e do Desporto. Trocamos ideias. Saí decidido a difundir o método e assim o fiz, estado a estado, município a município, tendo como ferramentas a presença em entrevistas com educadores e um vídeo, que mostra uma escola de sucesso na Zâmbia (África).

Àquela altura, a EVH já havia se estabelecido de forma definitiva na vida de Gonçalo, que fundou o Instituto de Educação em Valores Humanos em 4 de abril de 1994, no Rio de Janeiro. E, além de toda a concepção teórica e pedagógica, não faltaram razões pessoais para que o professor abraçasse a causa. “Eu trabalhei em empresas importantes, como Banco do Brasil e Banco Central. Profissionalmente, tive uma carreira de sucesso. Contudo, algo faltava em mim. E isso, de fato, impedia minha felicidade. Nessa época, sofria de várias crises de enxaqueca por semana. Um horror! Havia percorrido todas as especialidades médicas. Nessa jornada encontrei médicos que padeciam do mesmo desconforto. Dei-me conta da importância da EVH quando, numa manhã, e ainda na cama, sentia uma dor de cabeça aguda. Ao invés de me levantar para tomar remédios, fiquei quieto, relaxando cada parte do meu corpo. E, repentinamente, notei que a dor de cabeça havia sumido. Logo concluí que a causa do meu desconforto físico era a ausência de paz emocional e mental. Revi toda a minha vida.”

Desde então, o Instituto já capacitou mais de 35 mil professores em cidades de diversos estados brasileiros. Do Rio Grande do Sul ao Pará. De Santa Catarina ao Amazonas. Ainda fazem parte dessa extensa lista municípios do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Pernambuco, além do Distrito Federal. Gonçalo já falou para milhares de educadores, em palestras presenciais ou transmitidas pela internet. E mais do que isso: levou os valores de sua proposta educacional não apenas para professores ou diretores de escola, mas para empresas e órgãos de outras esferas, como magistrados de Tribunais de Justiça e do Ministério Público. "O Programa tem conteúdo universal, atingindo a todos os indivíduos de todas as crenças no mundo. A EVH tem sido exaustivamente experimentada em mais de 130 países, com sucesso sempre acima das expectativas, seja nos colégios ou no serviço público. Por ser uma atividade complementar, sua implementação não requer nenhuma mudança nos currículos oficiais das redes de ensino, nem mesmo investimentos por partes de empresas ou repartições. Basta disposição para aprender, apreender e passar adiante o que há de mais nobre nos sentimentos. Validar tudo aquilo que, efetivamente, nos faz humanos", conclui Gonçalo Medeiros.